O menino, a tartaruga e o carangueijo


Um jovem com uma vida comum, um nome comum, uma roupa comum, enfim, um jovem
comum demais. Andava distraido chutando e pisoteando com força a areia da praia, quando um carangueijo veio e lhe perguntou porque tanta irritação, o jovem, desajeitado, sem saber o que responder, e se responderia, afinal, aquilo poderia ser apenas um devaneio, falou apenas que não estava irritado, só estava querendo passar o tempo. O carangueijo, com um olhar assustado o interrogou:
- Mas então por que você está matando as pobres tartaruguinhas que aqui estão dormindo só esperando estarem no ponto, para a casca do ovo quebrar, e finalmente se verem livres?
- Mas.. eu não sabia que elas estavam aí! Apenas estava andando, havia esquecido que era época delas! - Falou o jovem morrendo de remorço.
O carangueijo, sem pestanejar, cavou, cavou, e mostrou um ovo, já fraco, em meio a alguns já quebrados pelas fortes pisoteadas do menino desastrado.
- Vê este ovo? está quase quebrando. E antes do tempo. Por sua causa. - o carangueijo levantava o ovo com grande esforço.
- Mas já disse que não era minha intenção! só queria me divertir, me distrair um pouco! o que posso fazer para ajuda-lo?
O carangueijo, colocou uma de suas patas perto da boca, coçou a casca com outra, e depois de um curto período pensando, finalmente respondeu:
- Sinto meu caro, talvez, por sorte, essa pobre tartaruguinha ainda sobreviva, mas será muito difícil. Pois, pensando apenas em tua felicidade, esquecestes que elas também existiam em teu mundo, e queriam viver tanto o quanto estavas vivendo ao pisotea-las, ao chuta-las para longe sem se preocupar, preocupando-te apenas com o teu momento e o que querias para satisfazer-te nele. Sinto desapontar-lhe, mas as vezes é muito tarde para se redimir por ter feito algo sem pensar.
- Mas eu não queria mesmo! Levarei ele para casa e o aquecerei dia após dia! - falou o menino ferozmente,apesar da voz sair abafada e trêmula de tanto remorso contido em suas palavras.
- Mas, ela irá procurar a água assim que nascer, e o que você irá oferecê-la?
- compro-lhe um aguário! belo, caro, muito chique! - falou o menino alegrando-se.
- Você não sente pena da pobre? Além de quase impedi-la de viver, agora, como num ato de caridade você quer mantê-la presa e dependente de ti? impedi-la de ser realmente feliz?
- E porque quando você viu o que eu estava fazendo, não me impediu? - gritou o menino furioso.
- Queria saber até onde você iria... - falou o carangueijo abaixando a cabeça.
Um silêncio crítico tomou conta da praia.

Na vida, encontramos diversas situações como esta. Você pode estar no lugar do menino, da tartaruga, ou apenas observando, como o carangueijo. O que mudará a situação, é a sua ação. O seu bom senso. Não sua falsa misericódia. Não sua falsa cordialidade. Não seu falso bem querer. Mas sim, tudo o que você faz, não pensando apenas em você. Não procurando saber até onde vai aquela contradição, mas sim impedindo-a de acontecer. Não importa a posição, o que importa é a posição que irás tomar, diante de tal situação.
Alice Mesquita

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3 comentários:

gustavo disse...

Alicee

ficou ótimo esse texto, aliás todos seus textos ficaram maravilhosos...
continue postando textos assim pq eu estou AMANDOOO =D

eli disse...

Uia kem tah perakih dnovo! =)
bjinho, aliçoooona! hauhauhua!

Alice Mesquita disse...

Valeeeeu narcisooo ^^ // Uia olha quem vortou a dar o ar de sua graça =P shushushsu

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